Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Cirque du Soleil : Quando a arte esquece a vida









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Em Pernambuco, a recente montagem do Cirque du Soleil,
tem causado uma certa polêmica, que só não foi maior,
porque parece que as pessoas ainda não se importam
(será que um dia se importarão?) com a questão delicada
da preservação do nosso meio ambiente.



O local oferecido pela EMPETUR (Empresa Pernambucana de Turismo) para a realização do espetáculo em nosso estado, foi o Parque Metropolitano de Salgadinho, também conhecido
como Parque Memorial Arco Verde. O local possui uma imensa área, sendo boa parte dela ocupada por vegetação arbórea.S egundo matéria citada no anexo 2 (matéria do Diario de Pernambuco disponível no link do rodapé, abaixo). O projeto do parque é do paisagista Roberto Burle Marx e está inserido em uma área de tombamento geral de 10,8 quilômetros quadrados.



A polêmica surgiu porque a organização do espetáculo propôs inicialmente que fossem derrubadas aproximadamente 40 árvores, para que o mundialmente aclamado circo pudesse
se instalar naquele local (ver anexo 1: matéria do Jornal do Commercio disponível no link
do rodapé, abaixo).



A notícia veio a tona porque o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e o promotor
do Meio Ambiente de Olinda, André Felipe Menezes exigiram uma série de documentos que comprovassem a legalidade e viabilidade da obra em consideraçào às questões paisagisticas
e ambientais do parque (ver anexo 2: matéria do Diario de Pernambuco disponível no link
do rodapé, abaixo).



Duas organizações que trabalham e lutam para cuidar do nosso meio ambiente, a ASPAN (Associação Pernambucana de Meio Ambiente) e a ECOS (AssociaçãoEcológica de Cooperação Social) também entraram na briga e protocolaram documento no Ministério Público Federal sobre a posição contrária das entidadesambientalistas a respeito da instalação do Circo de Soleil na área do Parque elistando os diversos prejuízos que poderiam ser causados ao local (ver anexo 3: manifesto do Fórum de Entidades Ambientalistas, disponível no link do rodapé, abaixo).



Mesmo diante dos protestos dos ambientalistas e das matérias divulga das pela imprensa local,
a Empetur seguiu firme e forte no seu propósito de abrigar o espetáculo naquele local. A desculpa para sensibilizar a população e convencer a todos de que valeu a pena o sacrifício das árvores
que alí viviam, é a mais fácil de todas: geração de empregos e turismo. Num país em que emprego é artigo de luxo, não pode haver desculpa mais convincente, até para disfarçar uma hipocrisia implícita.



Se é assim, pensando no bem estar da sua população, seria louvável que o Estado pagasse um pacote de ingressos para possibilitar que o trabalhador que está pegando pesado para erguer
o circo e as suas famílias tivessem condições de assistir ao maravilhoso e elitista espetáculo
dos canadenses engulidores de árvores, cujos ingressos custam bem caro.



E por falar em custos, não sei é o caso dessa turnê Quidam, mas o Cirque du Soleil já contou com o patrocínio de um desses financiamentos públicos que incentivam a cultura,como aconteceu na última turnê pelo Brasil. Esse fato é outra vergonha nacional, visto que,essas verbas deveriam ser usadas apenas para patrocinar quem está começando e não temre cursos próprios nem
é suficientemente conhecido e renomado para obter patrocínios significativos, que não deve ser
o caso do Soleil. Outra bola, digo, malabares fora, do circo.



Não sei por que estou falando nisso, deveria estar falando em árvores, mas como uma coisa
leva a outra, as árvores foram retiradas por interesses econômicos, em um Estado/Pais onde os poderes públicos parecem não estar nem um pouco preocupados/preparados para lidar de maneira justa com a questão do meio ambiente.
Vale lembrar, aqui, que a instalação do Circo não passou pelo Conselho Estadual
de Meio Ambiente - CONSEMA (ver anexo 3).



Agora nos resta esperar e conferir se realmente vão cumprir com a promessa dereplantio.
Na minha humilde opinião, esta deveria ser a última alternativaa se cogitar e deveria ficar
só na proposta. Trocar árvores adultas, frutificando e plenamente integradas
ao ecossistema, à fauna, etc, por mudas é como trocar vidas inteiras por memórias. Ah, tá. O nome do parque é "memorial". Entendi.


Pra ficar mais informado/a:
Matéria publicada no Jornal do Commercio em 16/06/2009: Clique aqui
Matéria publicada no Diario de Pernambuco em junho/2009: Clique aqui
O que pensam os ambientalistas do Fórum de Entidades Ambientalistas: Clique aqui





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Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Receita junina




Fogueira
ecológica
em Campina
Grande/PB.







Duas cidades do nordeste, que disputam o título
de quem realiza a melhor festa junina do país, este ano dão exemplo,
ao adotar posturas ecologicamente corretas:

Em Campina Grande foi erguida o que está sendo chamada
de fogueira ecológica, contruída inteiramente com material reciclado
e usando iluminação de lâmpadas, ao invés de fogo.

Já em Caruaru, também conhecida como a capitá do forró
(o slogan se escreve assim mesmo, do jeito matuto de
se falar) está fazendo a sua gigantesca e tradicional fogueira,
com madeira obtida através da poda de árvores que é feita
na cidade.

O melhor de tudo isso é que a iniciativa vem da organização
das duas grandes festas juninas, que atraem turistas de vários
lugares do país, e prova que é possível preservar tradições
mudando hábitos e adotanto escolhas mais condizentes
com as necessidades e preocupações dos dias atuais.

Leiam notícia sobre a fogueira de Campina Grande clicando aqui.
e aqui, para saber mais sobre a ecofogueira de Caruaru.

E bom São João pra todos/as!
:D


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Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Cadê a calçada?






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Recentemente a rua Padre Inglês, no bairro da Boa Vista, Centro do Recife, passou por uma reforma: foi trocado todo o piso do leito da rua, que é formado por pedras do tipo paralelepípedos. Bem que podiam fazer uma calçada também. Vejam nas fotos que toda extensão do muro do Seminário Teológico Batista termina no calçamento. As fotos foram feitas num domingo, mas em dias de semana é comum encontrar muitos carros estacionados ao lado do muro, obrigando as pessoas a dividir espaço com os veículos, correndo o risco de acidentes. E antes era pior, era quase toda a rua, pois o muro de outro imóvel seguia o mesmo modelo, mas felizmente foi recuado para a criação de uma calçada. Bem que o Seminário Teológico Batista podia seguir o mesmo exemplo, ou quem sabe, a prefeitura podia exigir isso. Não temos uma lei municipal que obriga os donos de imóveis a construir e fazer manutenção das suas calçadas?

E o que isso tem a ver com as árvores? Ora, tendo uma calçadas, poderiam ser plantadas mais árvores nesta rua para se somarem ao belo conjunto arbóreo, que já existe por lá e que já foi mostrado neste blog. Clique aqui para ver (ou rever) as Sibipirunas da Padre Inglês.


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Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Poda publicitária





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Essa pobre árvore recebeu uma drástica
poda para dar visibilidade a dois outdoors.
Não posso afirmar se foi feita pelo proprietário
do terreno (colégio Panorama) , que deve
alugar o espaço para a empresa de outdoor
(Bandeirantes), mas a probabilidade é grande.

Não acredito, ou melhor, me recuso a acreditar
que a prefeitura faça essas podas publicitárias,
que, infelizmente, não é raro acontecer em nossa
cidade. Acho que deveria ser dado prioridade
às nossas árvores, que são poucas e muito mais
importantes à população e não poluem visualmente
a cidade. Se a árvore está obstruindo a visibilidade
de um outdoor, então, que se coloque o outdoor
em outro lugar. É mais sensato.


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Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Dendrofobia e aquecimento urbano




Não se
assuste,
é apenas
a sombra
de uma
árvore
em um muro.






Texto de Isabelle Meunier*

Em pleno mês de abril, início das chuvas, Recife ferve a mais de 30ºC. Se esse calor já é efeito das mudanças climáticas globais, não sabemos. Mas é certo que a nossa dendrofobia tem contribuído, e muito, para vivermos em uma cidade de clima escaldante. Do grego dendron (árvore), essa doença social alastra-se rapidamente e tem efeitos colaterais de vastadores. A dendrofobia pode ser observada com freqüência cada vez maior, nos mais diferentes ambientes, mesmo naqueles onde se espera que a cultura e a educação espantem certos medos ancestrais. Algumas pessoas, mais irreverentes do que esta autora , desconfiam que, na verdade, os humanos temem as árvores por lembrar a “floresta ancestral”, aquela que abrigava nossos ascendentes simiescos. Temem esquecer a postura ereta e voltar a macaquear nos convidativos galhos das árvores!

Exemplos dendrofóbicos não faltam, infelizmente: o Colégio Marista São Luiz, detentor de uma área verde importante no outrora agradável e arborizado bair ro das Graças, por motivos ignorados, vem cortando suas grandes árvores frontais, deixando um cenário de desolação onde antes havia sombra acolhedora. E não está só na iniciativa: segue o triste exemplo da Academia Pernambucana de Letras. Aliás, a reforma do jardim do belo solar da APL denuncia os rumos perigosos escolhemos para nossa cidade: uma placa anuncia que uma empresa de construção civil é a responsável pela reforma dos jardins , um engenheiro civil apresenta-se com seu responsável técnico e alguns montes de lajotas e blocos de cimento indicam qual a matéria-prima do “jardim”.

Há poucos dias, um enorme caminhão saiu da APL carregando toras do que antes eram frondosas mangueiras, imponentes castanholas , belos cajueiros e perfumadas aroeiras. Afinal, um jardim que é executado por uma empresa de construção, - um jardim de pedra e cal - não precisa de árvores, aliás, não tolera árvores e apenas permite estreitas e envergonhadas faixas de gramas e de plantinhas ornamentais de canteiro e forração.
A menos que tenha havido algum movimento revisionista na língua portuguesa, jardins e parques devem ser locais onde imperam os elementos naturais, não necessariamente “disciplinados” (disciplinar as árvores foi o argumento do presidente da APL , na imprensa, para autorizar as mutilações impostas às árvores...). Locais de solo não impermeabilizados,
oportunidade de estar em contato com a natureza, mesmo que em fragmentos restritos e com elementos artificiais, os jardins e parques urbanos são elementos necessários à própria urbanização e à convivência civilizada e saudável nas cidades. Isso sem falar no embelezamento que trazem, com diferentes cores e formas de vida, na tão necessária amenização climática e na redução dos gastos com energia (já que, inexoravelmente, em uma cidade sem árvores e sem sombra, os condicionadores de ar são acionados por aqueles que podem adquiri-los e sustentá-los..)

Mas, apesar de tantos serviços ambientais, paisagísticos e socioculturais, u ma fobia coletiva e inexplicável ameaça esses espaços. Hoje, evitam-se árvores porque elas são grandes. Vivemos em prédios de 40 andares, confiando cegamente nos cálculos estruturais que foram feitos para sustentá-los, mas tememos árvores altas, pois elas “ podem cair” (!). Diante de um
telhado sujo ou de uma calha entupida, a solução não é mais, como antes, limpá-los – mas cortar todas as árvores que contribuíram com suas folhas para essa situação. A boa e velha vassoura foi substituída pela motosserra porque, afinal, revestimentos cerâmicos e pisos intertravados não devem ser maculados pela folhas e flores de árvores. Vivemos em uma sociedade que não encontrou uma solução segura e eficiente para os resíduos que gera , mas que não tolera folhas no chão (embora tole re a presença de crianças intoxicadas por cola nos sinais de trânsito!). Somos prisioneiros da violência urbana (humana, antes de tudo), e nos vingamos nas árvores, responsabilizando -as pelos nossos temores (árvores abrigam ladrões, na opinião de uma moradora de Boa Viagem, ao solicitar a remoção de uma castanhola da sua calçada!). Projetamos espaços nos quais a maior atração é o concreto, revestindo o solo e erguendo estranhas formas que agridem o bom gosto e a paisagem, por trás das quais poucas árvores se esgueiram, e chamamos isso de “parque”.

Se eu fosse médica, tentaria a celebridade caracterizando essa doença que se agrava de forma fatal.Como cidadã, espero que algum um psiquiatra social se debruce sobre a dendrofobia e busque entender suas razões e, urgentemente, encontre uma cura. Pois sem isso, nossa vida em um grande centro urbano, sem árvores, sem jardins e sem parques, será algo realmente infernal.


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* Isabelle Meunier é engenheira florestal
e professora da UFRPE




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Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Olhe por elas, agora e sempre!








































Uma grande idéia.
A prefeitura de Natal, capital do nosso estado vizinho
Rio Grande do Norte, encomendou essa campanha à agência
RAF Comunicação.
Tomei conhecimento por indicação do colega Thiago Oliveira
que me enviou o link deste blog (clique aqui).
Uma intervenção urbana de grande proporção, tratando
do assunto com inteligência e bom humor. Acho que tem tudo
pra cair na boca do povo e, quem sabe ajudar a mudar (maus) hábitos
de cidadãos que normalmente tratam mal ou, na melhor das
hipóteses, ignoram a importância das árvores na vida dos habitantes
dos centros urbanos.

Bem que Recife podia seguir o exemplo e tomar uma atitude
(ou várias). Tá mais que na hora da nossa prefeitura mudar a imagem
de administração que não liga muito para o meio ambiente
e para as nossas árvores.


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Curiosidade:
O trabalho do artista Filthy Luker e suas intervenções urbanas
certamente serviu de inspiração
para a campanha na prefeitura
de Natal. Clique aqui e conheça um pouco do trabalho dele.



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Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Momento artístico #7










Ilustração digital,
(photoshop c/ tablet).
Bernardo Bulcão
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2007.








Não é raro elas servirem
de inspiração para artistas.




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